sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Trenzando hilos

Dias felizes são dias de encontro. Dias de ciclos que se fecham. Dias de coincidências impossíveis.
Hoje foi um dia feliz.
O encontro era sobre isso. E naquele quintal, o fechamento do ciclo que começou dia 1 de fevereiro, quando cheguei a Buenos Aires. Nesse período, estudei roteiro, mergulhei na linguagem das imagens, estudei a arte contemporânea de mulheres, me maravilhei com os trabalhos e o grupo de mulheres que participou dos encontros, dei de cara com o projeto Yo no Fui, que oferece oficinas de poesia no presídio feminino de Ezeiza.
Hoje na hora do almoço fui me encontrar com uma das poetas responsáveis pela oficina. Depois de me contar como funciona o projeto e de conversarmos bastante, ela me convidou para um encontro de poesia e música na galeria de arte Dabbah Torrejón. Ela e uma das meninas do projeto tiveram a chance de expor e vender as coisas feitas nos ateliês de trabalhos manuais do projeto, de serigrafia e costura.
O sarau foi organizado pelo grupo que faz o site Muchos Días Felices. As pessoas entram e mandam fotos e textos contando seus dias felizes. E eventualmente se reúnem em carne e osso para ler os textos em público.
Logo depois que cheguei, entrou Marta Minujín, uma das artistas que estudamos no curso e que estava com uma exposição individual gigante no Malba até semana passada. Martha esteve no centro da contracultura em Nova York na década de 60 para 70. Fez um trabalho genial na década de 80, quando levou para o meio da rua em Nova York um carregamento de espigas de milho — o ouro latino-americano — para trocar com Andy Warhol pela dívida externa dos países da América Latina. Depois, tentou resolver o problema das Malvinas entregando milho a Margareth Thatcher.
Estava lá, a Marta. Roupa toda preta, cabelo absolutamente branco de franjinha, vários anéis e pulseiras e o indefectível Ray Ban espelhado que é sua marca registrada.
Os fios soltos da arte, do cinema, da poesia, trançados.

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