quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Las histericas somos el máximo!*

39 mulheres, 1 bendito fruto. Em uma sala quadrada, pequena, rodeada de livros, um tema polêmico: heroínas da história da arte. Mulheres artistas, feministas, femininas. Quando vi o título da série de palestras no Malba, não resisti. Lá se foram 200 pesos (75 reais, quase nada) para as quatro primeiras aulas.
Oras, mas se não for para alimentar minha própria alma por que teria alimentado os corpos de tantos amigos com sopas nos últimos dois anos?
Ano passado nem conta muito, mas guardei tudo o que ganhei vendendo sopas em 2009 para uma viagem, que se tornou esta viagem.
Acabei de comer uma salada deliciosa saindo do Malba e tomei uma taça de chardonnay para ver se consigo dormir esta noite.
Por que fui escolher estudar à noite?
Ontem saí do curso de roteiro às 10 e meia e não consegui pegar no sono até umas duas, a cabeça a mil.
Antes de vir estava com uma série de sintomas esdrúxulos e no final, sem conseguir comprovar nada pelos exames normais, minha médica me receitou férias.
Bom, minhas férias são assim.
Já li dois livros, comecei o terceiro. Estou fazendo dois cursos. Fui a dois museus, um cinema.
Corpo?
Estou andando horrores, coisa que adoro. E comendo bem.
Não exatamente light, mas sem abusos. Por falar em comida, minha dieta mediterrânea vem no post seguinte.

* Esse título é o primeiro verso de uma música de uma cantora e pianista chamada Liliana Felipe, que descobri hoje no curso. Uma música divertidíssima, que fala de Freud, Lacan, cunilingus e ponto G. Porteña, ¡no más!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Passeio dominical

Eu e as fotos realmente não nos damos muito bem. Além de morrer de preguiça de ficar carregando a câmera e fotografando, minha câmera é lamentável. É uma Pentax digital com um display tão tosco que o resultado das fotos é quase tão surpreendente quanto as que saíam da minha K1000 analógica e manual. Mas ontem estava um domingo lindo de sol, e fui conhecer o Rosedal, ou seja, o roseiral que fica no parque Três de Fevereiro. São muitos canteiros de rosas de todas as cores, formando caminhos e composições interessantes. Aí não teve jeito, tive que tirar umas fotinhos.
Dentro do parque também tem o Museu Eduardo Sívori, que estava apresentando uma mostra de ilustrações e gravuras feitas para capas de livros. Havia obras de alguns dos maiores ilustradores argentinos e trabalhos incríveis.
Mas gostei mesmo da exposição de pequenas esculturas de uma artista chamada Laura Nucenovich. São pequenas imagens de metal, com formas tão expressivas. Consegui fotografar uma delas, que se chama "Eu sou meu pior inimigo". São tão lindas... No site da artista aparecem as imagens. Mas a exposição ao vivo, em um jardim no fundo do Museu, ao ar livre, é muito melhor...

Por isso uma força

Meia quadra. É exatamente essa a distância que separa meu apartamento de um projeto social que tem tudo a ver com um trabalho que estou tentando fazer em São Paulo e não consigo colocar em prática.
No primeiro dia, quando saí para explorar os arredores, vi o corredor comprido, com uma grade de ferro e paredes grafitadas. Cara de projeto social. Na hora quis saber o que era, mas como sei que minha curiosidade acaba sempre me metendo em enrascadas, fingi que não vi.
No sábado, fui comprar o jornal e, do lado da entrada, havia um mercado público com bancas de artesanato e alimentos orgânicos, resultado de projetos sociais no interior. Dei uma olhada geral, ainda estava abrindo, e caí fora antes de ser recrutada para alguma coisa.
Mas não adianta fugir, não é mesmo?
Logo que abri o caderno de sábado do Clarín, bati o olho na notícia da estreia de um documentário sobre a gravação acústica do CD da banda “Las pastillas del abuelo”. O que me chamou a atenção foi que o documentário também falaria sobre a produção da capa do CD, feita pelas mulheres do grupo Yo No Fui, um projeto social com presidiárias, que trabalha com serigrafia.
Fiquei meio de bode porque a máquina engoliu meu cartão ontem pela manhã, então resolvi ficar na minha e até trabalhei um pouco no sabadão à noite. A TV a cabo tem uma infinidade de canais, vi um filminho, depois American Idol que está divertidíssimo com JLo e Steven Tyler como jurados.
Descobri que o documentário ia passar hoje de novo no Malba, que não é muito longe daqui, e me organizei para ir.
Por Dios!
A banda é incrível, ótima música, já virei fã. E o projeto... tem tudo a ver. Muito mais do que artesanato e serigrafia, o Yo No Fui começou com poesia, que é o que estou tentando desenvolver em São Paulo.
Ano passado participei durante uma tarde do projeto de música e dança que minha amiga Monica Jurado desenvolve com um grupo de mulheres em um presídio na Zona Norte. Foi um dos momentos mais emocionantes que já vivi. São mulheres do mundo todo, cada uma fala uma língua, mas os problemas são os mesmos. E todas cantam e dançam juntas, e assim soltam seus demônios. Muitas foram presas por tráfico de drogas e isso talvez explique porque tantas são ótimas cantoras. Muita gente ligada ao mundo das artes que vacilou. E desde então quero participar e pensamos em desenvolver alguma coisa com poesia, mas não consigo dar uma forma à ideia, fico andando em círculos.
Amanhã vou lá. Espero que isso seja uma força centrípeta que me jogue para fora desse círculo infinito.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ah, sim, claro, o curso

Começou! E parece que vai ser muito bom.
São quase dez pessoas, todos coleguinhas engajados. Alguns estudantes de cinema, um compositor de trilhas, um crítico, uma moça que também trabalha com texto.
A professora, Michelina Oviedo, é psicóloga e fez Escola de Cuba há 20 anos, o que para mim são ótimas referências. Primeiro, porque só consegui realmente entrar na criação literária depois que entendi a visão de linguagem da psicologia. Não que a Jeanne Marie não tivesse tentado me ensinar isso na faculdade, mas naquela época eu simplesmente era piba demais para ter noção das coisas. E segundo porque fazer Escola de Cuba há 20 anos significava ter aulas com Fernando Birri e García Márquez. Apenas.
Claro que isso significa um pé no esquerdismo, mas a visão dela é a de que cinema é uma arte feita para as massas, com uma estrutura bem definida. O que distingue uma boa cinematografia de outra é a premissa, porque a dramaturgia é milenar e culminou em Shakespeare. O resto todo veio daí.
Nosso primeiro exercício é assistir um filme e "desroteirizá-lo", ou seja, escrever o roteiro de forma literária. O grande diferencial, ao que me parece, é que a Michelina acredita que o texto deve trazer as imagens necessárias para que o diretor possa saber onde colocar a câmera e o produtor saiba fazer o orçamento (simplificando bem, é claro). Então não podemos fazer indicações de plano e posição de câmera, só contar a história de uma maneira visual.
Os exemplos que ela deu (de um roteiro do García Máquez, por exemplo) falam por si. Tudo se encaixa no que venho discutindo nos últimos anos com as muitas psicólogas queridas que passaram a fazer parte da minha vida e que agora queremos transmitir no nosso coaching literário.

Adaptação

As camadas ainda se acomodam.
Uma hora consigo uma conexão de internet, na outra não rola de modo algum. Tentei comprar um modem, o caixa eletrônico engoliu meu cartão. Tudo se resolveu sem grandes prejuízos, mas não consegui tirar o dinheiro e perdi o cartão, que precisou ser cancelado.
Enfim... Nunca tinha tido que lidar com esse tipo de coisa em viagem, coisa de quem vai passar um período mais longo do que uma semana no mesmo lugar.
Mas o legal é justamente andar pela cidade atrás de coisas que só os locais procuram. Ontem passei o dia no Centro. A princípio, tomei o ônibus aqui perto para ir a determinada esquina da Avenida Corrientes onde há lojas de DVDs para cinéfilos. Precisava comprar o filme que escolhi para meus exercícios, "Onde vivem os monstros". Eu já queria comprar e claro que saiu mais barato do que no Brasil.
Claro que também não resisti e comprei "Shortbus" e uma coletânea de animações do Norman McLaren, que adoro. Tive uma VHS copiada de uma coletânea muito obscura, que usei para fazer um trabalho na faculdade de design. Mas emprestei para alguém que jamais me devolveu. Agora eu tenho de novo, com 32 curtinhas!
Depois de andar as 11h da manhã até as 4h da tarde, parando muito rapidamente para almoçar, fui ao cinema. Assisti um filme francês chamado "La Mentira" (em espanhol). O Gerard Depardieu faz uma ponta, mas é só um charme mesmo (não ele, que está enorme de gordo). O filme é seco, o protagonista é lacônico, mas está tudo dito. Ele é um golpista que resolve roubar o chefe (Depardieu) e se mandar. Chega a uma cidade e se faz passar pelo encarregado da construção de uma autoestrada, que deveria ter sido construída mas que foi embargada por um grupo de ecologistas. Com isso, a cidadezinha praticamente faliu, então todos ficam exultantes diante da possibilidade de a obra recomeçar.
A princípio, o picareta quer passar a perna em todo mundo. Mas quando consegue mobilizar a cidade e se vê prestigiado, ao mesmo tempo em que pela primeira vez está construindo (literalmente) alguma coisa, ele acaba se envolvendo com as pessoas.
O filme é baseado em uma história real. Deixa você em suspenso, querendo saber como é que ele vai se safar dessa...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Odores e ruídos

Quando chego a um lugar estranho, sempre reparo nos cheiros. Claro, quando são bons não presto muita atenção, mas se são ruins me incomodam bastante. O apartamento que aluguei por aqui é bonitinho, mas estava bem sujo. Assim que entrei, senti o cheiro de cigarro. Alguém passou um bom tempo fumando Oliú na cama. Alguém deixou uma cerveja estourar na geladeira. Alguém deixou os panos de chão sujos e molhados dentro do armário embaixo da pia.
Não sou a Dona Neura, mas sou filha dela. Ontem estava cansada demais, mas hoje fiz uma bela faxina na cozinha e no banheiro. O cheiro de cigarro melhorou bem com o Gleide. Lá se foram vários pesos em produtos de limpeza. Mas valeu o investimento: está tudo bem mais habitável.
Os ruídos são até engraçados. Ao longe ouço passar o trem. Não incomoda, é até bucólico. Mas ontem à noite ouvia um barulhão, fiquei em dúvida se era uma obra ou uma batucada. O vento levava e trazia o ruído, que aos poucos ficou mais próximo. Sim, era uma batucada pré-carnavalesca em pleno bairro de Palermo. Sim, a escola de samba porteña parecia mais uma britadeira no asfalto.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sono arrivata a Buenos Aires

Tudo indica que minha vida monástica paulistana, almoçando 12h30 e jantando com as galinhas está com seus minutos contados. Depois de um dia cansativo de viagem, com direito a almoço no McDonald's do aeroporto, resolvi sair para jantar às 20h. Um restaurante aqui do lado me informou que, infelizmente, ainda não estavam abertos para o jantar. Outro, bem aqui em frente, disse que sim, estavam abertos. O garçom batia papo na calçada, mas logo veio me atender. Fiquei sozinha no restaurante, sem nenhum outro cliente, o tempo todo até terminar de comer.
O estrago foi grande. Fui logo encontrar um restaurante especializado em bife a milanesa atravessando a rua. E os jornais de hoje diziam que o preço do tomate e da alface estão pela hora da morte. Puxa, vou ter que comer tanta carne...
Na verdade, também não está muito animador cozinhar no apartamento. Como eu imaginava, na verdade, a cozinha é um tanto sofrível. Tem três panelinhas de chorar. Mas isso não vai desanimar uma pessoa que preparou estrogonofe para 15 pessoas em uma república de meninos no primeiro ano da faculdade. Não! Já comprei um pacote de macarrão, uma lata de atum, pão, manteiga, iogurte light. Os pêssegos estavam lindos e dois saíram por menos de R$ 1.
A viagem atrasou um pouco, mas as malas (quase paguei excesso, apesar de ter cabido tudo dentro do armarinho de duas portas do apê) chegaram. O apartamentinho que aluguei é bem mais velhinho do que mostram as fotos do site (lógico) e tem um defeito grave: cheira a cigarro. Comprei um Gleide que já está mostrando a que veio. Ou é o meu nariz que está se acostumando...