Domingo, final de tarde, depois da praia, é hora do Bailinho. Uma baladinha muito simpática em Ipanema. Dá de um tudo e a música é uma mistureba só, do jeito que eu gosto. O DJ é um ex-ator mirim da Globo, que manda bem. Toda semana ele convida uma celebrity pra criar um set. Neste domingo, foi a Luana Piovani. Depois tocou Patife, no esquema Bailinho. Menos drum'n'bass, mais musiquinhas dançantes. O cara é muito pro.
Fato é que me acabei de dançar, mas percebi que por lá meu gaydar não funciona. Todo mundo esbanja saúde, todo mundo é malhado, queimado de sol. Eu olhava pra um e pensava: hummm, acho que esse é hétero... E logo em seguida: hummm, mas e se for? Espelho, espelho meu: será que eu aguento alguém mais vaidoso do que eu? Difícil. Vou continuar compartilhando meus xampus com meus amigos gays de verdade, que eles merecem. Higiene é fundamental, mas pra homem um xampuzinho 2 em 1 tá mais que bom, né?
terça-feira, 11 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
O vagão rosa
Coincidências não existem, certo? Bem, ontem de manhã li um post muito bem escrito e argumentado no blog Duas Fridas, de duas jornalistas cariocas, questionando a criação de dois vagões dedicados às mulheres no metrô do Rio.
Entrei por acaso, vinda de outro blog, li, parei pra pensar. É um questionamento importante sobre essa idéia de segregar as vítimas pensando em protegê-las. Não vou nem me estender, porque a argumentação da Helê é tão boa que não carece. Vai lá e lê que compensa.
Vim pro Rio no mesmo dia, pro lançamento do Guia de Festivais, que eu orgulhosamente editei, e depois fomos jantar na Lapa, num restaurante tradicionalíssimo chamado Nova Capela. Conversa vai, conversa vem, comentei que tinha tomado o Metrô e a Beth lembrou dos tais vagões rosa. Claro que na hora citei o post e disse como achava um absurdo essa história, como nunca me senti contemplada pelo Dia da Mulher, como acho que esse tipo de coisa reforça a vitimização.
A Zita argumentou que isso é um paliativo, mas na prática pode ajudar quem realmente se sente mal. Enfim, também. é verdade, mas realmente o problema é mais embaixo, é falta de respeito humano, é selvageria. Prova disso é que na sequência todo mundo começou a contar histórias. Estávamos em seis mulheres e todas tinham alguma história de assédio para contar. Não eram só gritos de "gostosa" na frente da obra (o que também é péssimo e me deixa puta da cara). Eram histórias de homens de pau pra fora, de encochamento, de masturbação explícita.
O primeiro pinto que eu vi foi assim, de um sujeito que me parou na rua, dentro de um carro, fingindo querer uma informação. Quando me aproximei, lá estava o bicho pra fora. Eu devia ter uns 12 ou 13 anos. Não foi a última vez, tenho várias outras histórias. Alguém discorda que isso é grotesco? Está na hora de criar caso. Decidi que vou reunir essas histórias. Ainda não sei o que vou fazer com isso. Mas não dá pra deixar barato.
Entrei por acaso, vinda de outro blog, li, parei pra pensar. É um questionamento importante sobre essa idéia de segregar as vítimas pensando em protegê-las. Não vou nem me estender, porque a argumentação da Helê é tão boa que não carece. Vai lá e lê que compensa.
Vim pro Rio no mesmo dia, pro lançamento do Guia de Festivais, que eu orgulhosamente editei, e depois fomos jantar na Lapa, num restaurante tradicionalíssimo chamado Nova Capela. Conversa vai, conversa vem, comentei que tinha tomado o Metrô e a Beth lembrou dos tais vagões rosa. Claro que na hora citei o post e disse como achava um absurdo essa história, como nunca me senti contemplada pelo Dia da Mulher, como acho que esse tipo de coisa reforça a vitimização.
A Zita argumentou que isso é um paliativo, mas na prática pode ajudar quem realmente se sente mal. Enfim, também. é verdade, mas realmente o problema é mais embaixo, é falta de respeito humano, é selvageria. Prova disso é que na sequência todo mundo começou a contar histórias. Estávamos em seis mulheres e todas tinham alguma história de assédio para contar. Não eram só gritos de "gostosa" na frente da obra (o que também é péssimo e me deixa puta da cara). Eram histórias de homens de pau pra fora, de encochamento, de masturbação explícita.
O primeiro pinto que eu vi foi assim, de um sujeito que me parou na rua, dentro de um carro, fingindo querer uma informação. Quando me aproximei, lá estava o bicho pra fora. Eu devia ter uns 12 ou 13 anos. Não foi a última vez, tenho várias outras histórias. Alguém discorda que isso é grotesco? Está na hora de criar caso. Decidi que vou reunir essas histórias. Ainda não sei o que vou fazer com isso. Mas não dá pra deixar barato.
Certezas que se vão
É engraçado pensar em como tinha tanta certeza de tudo e como hoje acho tudo relativo, impreciso, improvável. Quando prestei vestibular no segundo colegial, o tema da redação era, basicamente: "você acha que tudo é relativo? argumente". A prova trazia um quadro de Magritte com um cachimbo e uma frase: Isso continua a não ser um cachimbo. Depois vinha um verso do Pessoa que dizia:
"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."
Achei muito fácil dizer que sim, tudo era relativo, e optei por uma argumentação cética dizendo que não, tudo aquilo era muito poético, mas a vida é dura para quem é mole. Estava no segundo colegial, podia trucar. Deu certo, convenci, e passei em sânscrito, que era o que a gente prestava pra treinar naquela época.
No ano seguinte prestei de novo, entrei em jornalismo, mas não me lembro do tema da redação. Nunca esqueci daquela, porque a questão que nunca me abandonou. A vida é o que é? Ou tudo é relativo?
Na verdade, ainda não sei. Tem coisas que são, ou aparentemente são, daqui a pouco não são mais, e assim vai. Não tem grandes dramas, é só esquecer de querer ser tão coerente e assumir a esquizofrenia.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Do perrengue que é comprar um biquíni
Das coisas mais complexas na vida de uma mulher mais pros 40 do que pros 30, com tem senso de noção e pernocas roliças (leia-se bunduda com uma autocrítica de fazer inveja aos mais complexados) está o episódio de comprar um biquíni.
Você olha a parte de baixo na loja, ainda pendurada, e tem a impressão de que aquele é um modelito Bay Watch, o paraíso dos biquínis santropeito. Daí você experimenta a bodega e o elástico enfinca nas suas banhas, dividindo a lateral do seu corpo em duas partes igualmente deselegantes.
Sem contar que a loja obriga você a experimentar por cima da calcinha, o que eu acho justo. Porém, o resultado é que você nunca sabe quão enfiada ficará a parte de baixo até estar em casa com ela e não ter mais direito a troca.
Quando tudo isso ainda acontece com uma pessoa paulista que vai passar o fim de semana no Rio de Janeiro, só há dois resultados possíveis: um maiô inteiro ou um biquíni preto bem basicão. Lá vou eu pro Rio com meu novo biquíni preto de alças doiradas. Chique pra caralho, e ornando com minhas havaianas indianas.
Você olha a parte de baixo na loja, ainda pendurada, e tem a impressão de que aquele é um modelito Bay Watch, o paraíso dos biquínis santropeito. Daí você experimenta a bodega e o elástico enfinca nas suas banhas, dividindo a lateral do seu corpo em duas partes igualmente deselegantes.
Sem contar que a loja obriga você a experimentar por cima da calcinha, o que eu acho justo. Porém, o resultado é que você nunca sabe quão enfiada ficará a parte de baixo até estar em casa com ela e não ter mais direito a troca.
Quando tudo isso ainda acontece com uma pessoa paulista que vai passar o fim de semana no Rio de Janeiro, só há dois resultados possíveis: um maiô inteiro ou um biquíni preto bem basicão. Lá vou eu pro Rio com meu novo biquíni preto de alças doiradas. Chique pra caralho, e ornando com minhas havaianas indianas.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Elogios espantosos
Comentei com minha amiga de adolescência, que reencontrei recentemente, sobre o quanto cansa estar sempre fazendo tudo direito, num país onde reina o mais ou menos, o medíocre, o assim tá bom.
Ela disse que às vezes se espanta quando recebe uns elogios do tipo: "Nossa, você tinha que organizar uma reunião e organizou! Parabéns!". É realmente espantoso.
Alguém pode me dizer se vai ser sempre assim? Não é por nada, só pra preparar o espírito.
Ela disse que às vezes se espanta quando recebe uns elogios do tipo: "Nossa, você tinha que organizar uma reunião e organizou! Parabéns!". É realmente espantoso.
Alguém pode me dizer se vai ser sempre assim? Não é por nada, só pra preparar o espírito.
terça-feira, 4 de março de 2008
Equívoco
Eu sempre digo: no fundo, essa história de jornalismo, não sei não, viu? Foi só porque eu precisava fazer uma faculdade. O que eu queria mesmo mesmo era ter uma papelaria ou uma banca de jornal. O que eu gosto é de papel, canetinhas variadas, caderninhos, badulaques em geral. Ou uma loja de armarinho, cheia de botões, linhas, lãs... Ia ter muito menos penso, isso ia!
domingo, 2 de março de 2008
Dear Prudence, won’t you come out to play?
Quando você encontra pessoas que não são fúteis e são basicamente felizes, simplesmente felizes, com todos os problemas que têm, você pode se sentir fútil. Mas eu não estou me sentindo fútil. Estou com vontade de me afastar dessas pessoas. Não quero contaminá-las com as minhas inquietações.
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