Das coisas mais complexas na vida de uma mulher mais pros 40 do que pros 30, com tem senso de noção e pernocas roliças (leia-se bunduda com uma autocrítica de fazer inveja aos mais complexados) está o episódio de comprar um biquíni.
Você olha a parte de baixo na loja, ainda pendurada, e tem a impressão de que aquele é um modelito Bay Watch, o paraíso dos biquínis santropeito. Daí você experimenta a bodega e o elástico enfinca nas suas banhas, dividindo a lateral do seu corpo em duas partes igualmente deselegantes.
Sem contar que a loja obriga você a experimentar por cima da calcinha, o que eu acho justo. Porém, o resultado é que você nunca sabe quão enfiada ficará a parte de baixo até estar em casa com ela e não ter mais direito a troca.
Quando tudo isso ainda acontece com uma pessoa paulista que vai passar o fim de semana no Rio de Janeiro, só há dois resultados possíveis: um maiô inteiro ou um biquíni preto bem basicão. Lá vou eu pro Rio com meu novo biquíni preto de alças doiradas. Chique pra caralho, e ornando com minhas havaianas indianas.
quinta-feira, 6 de março de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
Elogios espantosos
Comentei com minha amiga de adolescência, que reencontrei recentemente, sobre o quanto cansa estar sempre fazendo tudo direito, num país onde reina o mais ou menos, o medíocre, o assim tá bom.
Ela disse que às vezes se espanta quando recebe uns elogios do tipo: "Nossa, você tinha que organizar uma reunião e organizou! Parabéns!". É realmente espantoso.
Alguém pode me dizer se vai ser sempre assim? Não é por nada, só pra preparar o espírito.
Ela disse que às vezes se espanta quando recebe uns elogios do tipo: "Nossa, você tinha que organizar uma reunião e organizou! Parabéns!". É realmente espantoso.
Alguém pode me dizer se vai ser sempre assim? Não é por nada, só pra preparar o espírito.
terça-feira, 4 de março de 2008
Equívoco
Eu sempre digo: no fundo, essa história de jornalismo, não sei não, viu? Foi só porque eu precisava fazer uma faculdade. O que eu queria mesmo mesmo era ter uma papelaria ou uma banca de jornal. O que eu gosto é de papel, canetinhas variadas, caderninhos, badulaques em geral. Ou uma loja de armarinho, cheia de botões, linhas, lãs... Ia ter muito menos penso, isso ia!
domingo, 2 de março de 2008
Dear Prudence, won’t you come out to play?
Quando você encontra pessoas que não são fúteis e são basicamente felizes, simplesmente felizes, com todos os problemas que têm, você pode se sentir fútil. Mas eu não estou me sentindo fútil. Estou com vontade de me afastar dessas pessoas. Não quero contaminá-las com as minhas inquietações.
sábado, 1 de março de 2008
Água que se bebe
Num encontro histórico na última quarta-feira, Raquel enumerou para um amigo nosso as minhas contradições nesses quase 20 anos que a gente se conhece. Todas as vezes que disse "dessa água não beberei" e depois quase me afoguei na mesma água. Não é fácil constatar isso. Porque, basicamente, significa que fico por aí pontificando e depois faço tudo ao contrário. E como discrição não é a palavra que me descreve, todo mundo fica sabendo do antes e do depois.
Aconteceu isso com bichos. Eu nunca dei a menor pelota pra cães e gatos, e depois tive duas cachorras de dormir na cama, abraçar e beijar. E uma até hoje tenho certeza de que não é uma cachorra, é minha alma gêmea, meu deamon que eu não vejo há um ano. Agora as duas gatas aqui de casa vão embora e sei que vou sentir falta até da maligna traiçoeira, que nem me arranha mais.
Acontece sempre que eu decreto que uma coisa é definitiva. Sempre que eu defendo um ponto de vista com veemência. Porque eu mesma sempre procuro o outro lado. Desde o colégio, sempre me aproximei das pessoas menos queridas, pra ver o que mais tinha ali. Com isso, estou sempre cercada de gente polêmica. Mas quase sempre tive boas surpresas. Então nada melhor do que cair em contradição.
Aconteceu isso com bichos. Eu nunca dei a menor pelota pra cães e gatos, e depois tive duas cachorras de dormir na cama, abraçar e beijar. E uma até hoje tenho certeza de que não é uma cachorra, é minha alma gêmea, meu deamon que eu não vejo há um ano. Agora as duas gatas aqui de casa vão embora e sei que vou sentir falta até da maligna traiçoeira, que nem me arranha mais.
Acontece sempre que eu decreto que uma coisa é definitiva. Sempre que eu defendo um ponto de vista com veemência. Porque eu mesma sempre procuro o outro lado. Desde o colégio, sempre me aproximei das pessoas menos queridas, pra ver o que mais tinha ali. Com isso, estou sempre cercada de gente polêmica. Mas quase sempre tive boas surpresas. Então nada melhor do que cair em contradição.
Amiga bissexta
Lulu é minha amiga bissexta, não por encontros esporádicos mas porque é a única pessoa que conheço que nasceu no dia 29 de fevereiro. E alguém que nasce num dia que só acontece a cada quatro anos não é uma pessoa comum. É a única unanimidade que não é burra. Burro seria alguém que não visse o que existe atrás daquele sorrisão, daquela ingenuidade que ainda sofre de ver que tem gente que não é assim, que tem gente ruim. E ela se esforça pra provar o contrário, insiste.
Ontem ela fez seu nono aniversário e de olhar pra todos aqueles amigos reunidos vi que ela tem sido tudo menos bissexta na minha vida. Pra todos os momentos, todas as birras e chatices, pra muitas gargalhadas também. Numa festa por onde mais de 50 pessoas passaram, eu conhecia todas - da família aos amigos mais distantes. Porque ela me carregou pra todo lado com ela, dividiu seus amigos e problemas, jantares, cafés-da-manhã e almoços. Amiga, 366 dias por ano.
Ontem ela fez seu nono aniversário e de olhar pra todos aqueles amigos reunidos vi que ela tem sido tudo menos bissexta na minha vida. Pra todos os momentos, todas as birras e chatices, pra muitas gargalhadas também. Numa festa por onde mais de 50 pessoas passaram, eu conhecia todas - da família aos amigos mais distantes. Porque ela me carregou pra todo lado com ela, dividiu seus amigos e problemas, jantares, cafés-da-manhã e almoços. Amiga, 366 dias por ano.
O Nada persiste
Passou uma semana, hoje o barulho era do caminhão de concreto, oito e meia da manhã. Laurence tem razão.
Assinar:
Postagens (Atom)