Aquele menino de Recife, última vez que teve aqui e a gente virou amigos, me chamou pro show do Maquinado. Fui eu, pra variar de embalo, sem quê nem porquê, só pra ver esse moço que me fez tanto sofrer.
Chapei. Poderia ficar a noite inteira olhando o Lucio Maia tocar. Volta e meia volto no Myspace deles, não é a mesma coisa, quero mais.
De qualquer forma, meu amigo, eu agradeço, pelo sim, pelo não, pelo Maquinado. Feliz aniversário.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Janela na calçada
Morar no meu apezinho, com janela pra rua e quintal, no térreo de um predinho sem elevador, tem seu charme. E é um prato cheio pra quem gosta de bisbilhotar a vida alheia.
Não é a primeira vez que um casal senta pra namorar e conversar sobre a vida, o universo e tudo o mais embaixo da minha janela, de madrugada. Esta noite o cara era gringo. Me acordou discutindo o sentido da vida às 4 da matina. Conclusão que perdi o sono e, conseqüentemente, a hora.
Quando a gente mora lá em cima, dá pra dar um berro ou jogar ovos, sei lá, alguma palhaçada dessas. Mas da minha janela, são poucos metros de puro constrangimento. Na próxima encarnação quero nascer Cristina Young, a médica chinesa na lata do Grey's Anatomy.
Não é a primeira vez que um casal senta pra namorar e conversar sobre a vida, o universo e tudo o mais embaixo da minha janela, de madrugada. Esta noite o cara era gringo. Me acordou discutindo o sentido da vida às 4 da matina. Conclusão que perdi o sono e, conseqüentemente, a hora.
Quando a gente mora lá em cima, dá pra dar um berro ou jogar ovos, sei lá, alguma palhaçada dessas. Mas da minha janela, são poucos metros de puro constrangimento. Na próxima encarnação quero nascer Cristina Young, a médica chinesa na lata do Grey's Anatomy.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Sonho de consumo
Uma pessoa (eu) vai à livraria (da Vila) e descobre que existem Moleskines de viagem. Essa pessoa (eu) inclusive recentemente reencontrou uma amiga (a Beá), designer, ilustradora, autora de livros sobre arte, que participa de um projeto em que várias pessoas talentosas como ela mostram as coisas que desenham em seus Moleskines (os links tão aí do lado).
Então essa pessoa (eu) quer esse Moleskine (de Barcelona). Porque tem mapas da cidade, e também é um Moleskine (o caderninho mais famoso do mundo). Aí essa pessoa (eu) vai ver o preço e descobre que custa 85 pilas! O que talvez não fosse um completo despautério (mas é), se na Amazon o mesmo Moleskine não custasse 12 doletas (ou menos de 30 real com o frete).
Então essa pessoa (eu) vai ficar querendo, por enquanto.
Então essa pessoa (eu) quer esse Moleskine (de Barcelona). Porque tem mapas da cidade, e também é um Moleskine (o caderninho mais famoso do mundo). Aí essa pessoa (eu) vai ver o preço e descobre que custa 85 pilas! O que talvez não fosse um completo despautério (mas é), se na Amazon o mesmo Moleskine não custasse 12 doletas (ou menos de 30 real com o frete).
Então essa pessoa (eu) vai ficar querendo, por enquanto.
Sobre um verão chuvoso
Eu gosto da Marguerite Duras. Não me equivoquei quando, há uns 15 anos, comprei uma meia dúzia de livros dela, li, não entendi muito bem, mas gostei. Ela constrói imagens simples e melancólicas. Melancolicamente simples. Ela diz o que não tem a dizer e em vez do vazio surgem essas imagens. Ela fala de um verão esperado que não vem, porque chove. Parece que observa de uma janela os turistas numa praia, frustrados, às voltas com guarda-sóis inúteis e crianças entediadas. Dessa visão surgiram as crônicas que foram reunidas num voluminho chamado "O verão de 80". Foi uma série publicada no jornal Libération naquele verão. Comprei num sebo, custou 15 mil dinheiros. No verão de 2008 a chuva também drena o nosso ânimo. Mas pelo menos existem livros e janelas.
Trabalho conspurcado
Resgatei esses dias um livro de ensaios chamado "Nenhuma paixão desperdiçada", de George Steiner. Li um dos ensaios para uma matéria que fiz para a Superinteressante, anos atrás, e agora peguei o livro do começo. Sensacional. No primeiro ensaio, ele parte de um quadro do século 18 para traçar um perfil do leitor clássico. Depois começa a falar sobre como a leitura perdeu a pompa, mostrando o perfil do leitor atual.
Fala sobre a troca entre leitor e livro, sobre o impulso de corrigir o texto, de dialogar com ele, rabiscando, anotando, interferindo, corrigindo. Um trecho:
"Quem é capaz de desconsiderar um erro de impressão sem o corrigir não é um simples filisteu da cultura: é um perjuro do espírito e da razão. (...) Se é fato que Deus, como afirma Warburg, 'encontra-se nos pormenores', a correção de uma palavra grafada com erro é um ato de fé. Emendar, fazer a reconstrução epigráfica, prosódica, estilística de um texto espúrio tornando-o válido é uma tarefa infinitamente mais complexa do que redigi-lo originalmente."
Não é lindo isso? Não é quase um sacerdócio? Sim, mas também é um trabalho. Um trabalho muito do mal pago. Que está me deixando muito frustrada. E olha que nem sou uma editora de autores, de livros de ficção. Simplesmente faço livros de referência, com muita, muita informação.
Sempre adorei o que faço, mas nunca confundi trabalho com militância. Nem com voluntariado. Por isso estou em crise. Comentei com uma pessoa semana passada, um entrevistado que trabalha com produção para TV, que quanto mais perto da arte e da cultura estamos, menos ganhamos. Ele me deu uma explicação muito adequada, apesar de terrível. Para ele, aqui temos a impressão de que certas profissões - que incluem os artistas e também os professores (e conseqüentemente os editores, que talvez fiquem aí pelo meio dos dois) - são consideradas sagradas, logo não podem estar relacionadas a dinheiro. Ganhar dinheiro sendo publicitário tudo bem. Mas juntar filme de autor e dinheiro, livro e dinheiro, ensino e dinheiro, é conspurcação.
Se é assim, os médicos também deveriam ser pobres. Preciso descobrir como é que eles reverteram a situação, antes de começar a achar mais digno vender o corpo.
Fala sobre a troca entre leitor e livro, sobre o impulso de corrigir o texto, de dialogar com ele, rabiscando, anotando, interferindo, corrigindo. Um trecho:
"Quem é capaz de desconsiderar um erro de impressão sem o corrigir não é um simples filisteu da cultura: é um perjuro do espírito e da razão. (...) Se é fato que Deus, como afirma Warburg, 'encontra-se nos pormenores', a correção de uma palavra grafada com erro é um ato de fé. Emendar, fazer a reconstrução epigráfica, prosódica, estilística de um texto espúrio tornando-o válido é uma tarefa infinitamente mais complexa do que redigi-lo originalmente."
Não é lindo isso? Não é quase um sacerdócio? Sim, mas também é um trabalho. Um trabalho muito do mal pago. Que está me deixando muito frustrada. E olha que nem sou uma editora de autores, de livros de ficção. Simplesmente faço livros de referência, com muita, muita informação.
Sempre adorei o que faço, mas nunca confundi trabalho com militância. Nem com voluntariado. Por isso estou em crise. Comentei com uma pessoa semana passada, um entrevistado que trabalha com produção para TV, que quanto mais perto da arte e da cultura estamos, menos ganhamos. Ele me deu uma explicação muito adequada, apesar de terrível. Para ele, aqui temos a impressão de que certas profissões - que incluem os artistas e também os professores (e conseqüentemente os editores, que talvez fiquem aí pelo meio dos dois) - são consideradas sagradas, logo não podem estar relacionadas a dinheiro. Ganhar dinheiro sendo publicitário tudo bem. Mas juntar filme de autor e dinheiro, livro e dinheiro, ensino e dinheiro, é conspurcação.
Se é assim, os médicos também deveriam ser pobres. Preciso descobrir como é que eles reverteram a situação, antes de começar a achar mais digno vender o corpo.
Diversão sim
Finalmente um fim de semana agitado. Até saí pra dançar. Botecos, baladas, programas culturais. Bom, nada disso não me fez levantar quicando hoje. Tudo bem. Vai passar, deve ser o novo remédio homeopático que estou tomando. Preciso perguntar se dá mau humor.
Estava tão reclusa que fiz uma conta rápida e, do final do ano pra cá, já vi mais de 20 filmes, entre alugados e cinema. Li uns cinco livros. Acabei de ler o novo do Vargas Llosa, "Travesuras de la niña mala". No começo achei meio batido, mas depois empolguei. Minha cabeça está a mil, mas não sei se vou seguir lembrando de tudo por muito tempo.
Estava tão reclusa que fiz uma conta rápida e, do final do ano pra cá, já vi mais de 20 filmes, entre alugados e cinema. Li uns cinco livros. Acabei de ler o novo do Vargas Llosa, "Travesuras de la niña mala". No começo achei meio batido, mas depois empolguei. Minha cabeça está a mil, mas não sei se vou seguir lembrando de tudo por muito tempo.
Ódeo no coração e fígado de quinta
Passo um tempão sem escrever, porque tudo parece estar indo bem, aí não tenho assunto. Daí fico de novo com raiva, e hoje foi um dia especialmente cu, daqueles que você tem certeza de que não devia ter saído da cama, e começo a ter mil idéias.
Por exemplo: por que meu fígado é tão ruim? Por que tomo uma caipirinha e dois chopes, mais uma porção de pastel - como todo mundo faz - e fico dois dias de ressaca? Por que ainda estou com sede, se isso aconteceu na sexta-feira?
Já estava me perguntando isso no sábado à tarde, e fiquei ainda mais convicta de que tenho um fígado de quinta ontem, quando fui assistir "Meu nome não é Johnny". Lá pelas tantas o sujeito diz que estava cheirando 100g de pó por semana. Caralho! É muito pó! Como sobreviveu? Como? Como o fígado dele não virou foie gras? Realmente, meu fígado é de quinta.
Por exemplo: por que meu fígado é tão ruim? Por que tomo uma caipirinha e dois chopes, mais uma porção de pastel - como todo mundo faz - e fico dois dias de ressaca? Por que ainda estou com sede, se isso aconteceu na sexta-feira?
Já estava me perguntando isso no sábado à tarde, e fiquei ainda mais convicta de que tenho um fígado de quinta ontem, quando fui assistir "Meu nome não é Johnny". Lá pelas tantas o sujeito diz que estava cheirando 100g de pó por semana. Caralho! É muito pó! Como sobreviveu? Como? Como o fígado dele não virou foie gras? Realmente, meu fígado é de quinta.
Assinar:
Postagens (Atom)